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Símbolo da Fé (Credo Niceno-Constantinopolitano)

Creio em Um só Deus: Pai, Omnipotente, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.

E em Um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos. Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado e não criado, consubstancial ao Pai, por Quem tudo foi feito.

Que por nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus e Se encarnou pelo Espírito Santo e da Virgem Maria e Se fez homem.

E por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras.

E subiu aos Céus e está sentado à direita do Pai, e novamente virá com glória para julgar os vivos e os mortos, e o Seu Reino não terá fim.

E no Espírito Santo, Senhor Vivificante, que procede do Pai, e que juntamente com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, e que falou pelos profetas.

E na Igreja una, santa, católica e apostólica.

Confesso um só batismo para a remissão dos pecados.

Espero a ressurreição dos mortos e a vida do século vindouro. Ámen. 

***

O que é o Credo?

A palavra latina “credo”, significa “creio.” Na Igreja Ortodoxa, o credo é geralmente chamado de Símbolo da Fé, que significa “expressão” ou “confissão” da fé.

O Credo é uma oração onde está redigida, breve e concretamente a verdade fundamental da religião ortodoxa.

Uma pessoa sem fé, é como um cego. A fé dá à pessoa uma visão espiritual, para ajudá-la a perceber o sentido do que acontece à sua volta; como e porque tudo foi criado, qual é o objetivo da vida, o que está correto e o que não está e para o que devemos nos empenhar.

Desde os tempos antigos, os cristãos têm usado o credo para serem lembrados sobre os fundamentos da Fé Ortodoxa. Na igreja antiga, existiam vários credos, mas eram curtos. Porém, no século IV, apareceram ensinamentos falsos sobre o Filho de Deus e o Espírito Santo. Então, foi necessário completar todos estes credos e definir mais claramente os ensinamentos da Igreja.

Dados históricos

O Credo que nós vamos explicar aqui, foi composto pelos Pais do primeiro e do segundo Concílio Ecumênico.

No primeiro Concílio Ecumênico, foram escritas as primeiras sete componentes do credo. No segundo, foram escritas as cinco restantes. O primeiro concílio ecumênico deu-se na cidade de Nicéia, no ano 325 da era cristã, com a finalidade de aprovar o ensinamento dos apóstolos sobre o Filho de Deus contra o ensinamento de Ario, que considerava que o Filho de Deus fôra criado pelo Pai e por isso não é o verdadeiro Deus. O segundo concílio ecuménico, deu-se na cidade de Constantinopla, no ano 381 D.C., para aprovar o ensinamento dos apóstolos contra o falso (ensinamento) de Macedônio que rejeitava o valor Divino do Espírito Santo. Segundo as duas cidades onde se deram esses concílios, o Credo chama-se “Niceo-Constantinopolitano.”

O Credo consiste em 12 partes: a primeira fala de Deus Pai, da segunda à sétima fala-se de Deus Filho, a oitava fala de Deus Espírito Santo, a nona fala da Igreja, a décima do Batismo, a décima-primeira e a décima-segunda – da ressurreição dos mortos e da vida eterna.

Em que nós cremos segundo o Credo?

Nós começamos o credo com a palavra “creio,” porque a essência das nossas convicções religiosas não se baseia numa experiência exterior, mas sim na recepção das verdades oferecidas por Deus. Os objetos ou fenômenos do mundo espertou não podem ser verificados em laboratório nem se podem provar pelo meio de uma lógica – eles entram na esfera da experiência religiosa individual de cada pessoa. Porém, quanto mais uma pessoa progride na sua vida espiritual, por exemplo: quanto mais ela reza, pensa em Deus e pratica boas ações, mais evolui a sua experiência religiosa e mais claras e evidentes se tornam para ela as verdades da religião. Deste modo, a fé para uma pessoa crente torna-se um objeto da sua experiência individual.

Cremos que Deus é a plenitude da perfeição: Ele é o Espírito inteiramente perfeito, eterno, Todo-poderoso e Sábio. Deus está em todo lado, vê e sabe tudo mesmo antes que algo aconteça, Ele é infinitamente bom, justo e santíssimo. Ele não tem necessidade de nada e é a razão principal de tudo o que existe.

Cremos que Deus é uno no Seu ser e tríade de pessoas (isto é, o verdadeiro Deus apareceu a nós como o Pai, o Filho e o Espírito Santo), que é a Trindade, consubstancial e inseparável. O Pai não nasce nem provem de outra Pessoa (da Trindade), o Filho nasceu do Pai antes dos séculos, e o Espírito Santo provem do Pai antes dos séculos.

Cremos que todas as Pessoas ou hipóstases de Deus, são iguais entre si na perfeição, grandeza, poder e glória Divina, ou seja, – nós cremos que o Pai é o Deus verdadeiro e perfeito, e que o Filho é o Deus verdadeiro e perfeito, e que o Espírito Santo é o Deus verdadeiro e perfeito. Por isso, nas orações nós louvamos ao mesmo tempo o Pai, o Filho e o Espírito Santo como um só Deus.

Cremos que todo o mundo invisível e visível foi criado por Deus. Primeiro, Deus criou o mundo invisível, o grande mundo dos anjos ou, como se diz (na Bíblia “céu),” depois, criou o nosso mundo material ou físico (na Bíblia – “terra”). Deus criou o mundo físico do nada, contudo não foi de repente, mas pouco a pouco, durante períodos de tempo que na Bíblia se chamam “dias.” Deus criou o mundo sem ter indispensabilidade ou necessidade dele, mas pela sua benevolência, para que outros seres criados por Ele desfrutem da vida. Sendo infinitamente bom, Ele criou tudo bom. O mal no mundo provém do abuso da livre vontade que Deus deu aos anjos e as pessoas. Assim, por exemplo, o diabo e os seus demónios antes eram anjos bons, mas eles se revoltaram contra Deus e se tornaram maus. Daí, foram expulsos do paraíso e formaram o seu próprio reino do mal que se chama “inferno.” Desde esse tempo eles incitam as pessoas a pecar e são os inimigos da nossa salvação.

Cremos que Deus tem tudo em Seu poder, ou seja, que Ele dirige tudo e leva tudo para um bom destino. Deus ama-nos e preocupa-se connosco como uma mãe com o seu filho. Por isso, nenhum mal pode acontecer à pessoa que confia em Deus.

Cremos que o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, pela nossa salvação, desceu dos céus e encarnou pelo Espírito Santo e pela Virgem Maria. Sendo Deus desde a infinidade, nos dias do Rei Herodes tomou a nossa natureza humana, – a alma e o corpo e por isso Ele é, ao mesmo tempo, o verdadeiro Deus e o verdadeiro Homem ou Deus-homem. Ele reúne na mesma pessoa duas naturezas, a Divina e a humana. Essas naturezas estarão Nele para sempre sem modificação, não se misturando nem se transformando numa outra natureza.

Cremos que o Senhor Jesus Cristo vivendo na terra, com o Seu ensinamento, exemplos e milagres, iluminou o mundo, ou seja, ensinou os homens em que é que eles devem acreditar e como devem viver para entrarem na vida eterna. Com as Suas orações ao Pai, com a absoluta realização da vontade Dele, com o Seu sofrimento e a morte na cruz Ele venceu o diabo, resgatou o mundo do pecado e da morte. Com a Sua ressurreição, Ele pôs início à nossa ressurreição. Subindo com o Seu corpo aos Céus, o que aconteceu no quadragésimo dia depois da ressurreição dos mortos, o Senhor Jesus Cristo se sentou “à direita do Deus Pai,” ou seja, como Deus-homem, Ele tomou o mesmo poder com o Seu Pai e a partir daí comanda juntamente com Ele os destinos do mundo.

Cremos que o Espírito Santo, provendo do Deus Pai (não e do Filho!) desde o início do mundo, juntamente com o Pai e com o Filho dá existência e vida a todas as criaturas e dirige tudo. Ele é a fonte da abençoada vida espiritual tanto para os anjos como para as pessoas, e ao Espírito Santo deve-se honra e glória igualmente ao Pai e ao Filho. No Velho Testamento, o Espírito Santo falava através dos profetas, depois, no início do novo testamento Ele falava através dos apóstolos, e agora age na igreja cristã, direcionando os pastores da igreja e os cristãos ortodoxos para a verdade.

Cremos que Jesus Cristo para a salvação de todos os que creem Nele, criou aqui na terra a Igreja enviando aos apóstolos o Espírito Santo no dia de Pentecostes. Desde então, o Espírito Santo permanece na Igreja, nessa comunidade abençoada de cristãos com fé, e a guarda na pureza do ensinamento de Cristo. Além disso, a benção do Espírito Santo que permanece na Igreja, purifica os que se arrependem dos seus pecados, ajuda os crentes a progredir nas boas ações e os abençoa.

Cremos que a Igreja é Una, Santa, Católica (Inteira, Universal) e Apostólica. Ela é Una, porque todos os cristãos ortodoxos, mesmo pertencendo a diferentes igrejas do local, formam uma família juntamente com os anjos e os santos nos Céus. A união da Igreja baseia-se na união da fé e da benção. A Igreja é Santa, porque os seus filhos fiéis são santificados com a palavra de Deus, a oração e os sacramentos Sagrados. A igreja é Católica (Inteira, Universal), porque está dedicada às pessoas de todos os tempos e de todas as nacionalidades. A Igreja é Apostólica, porque guarda o ensinamento dos apóstolos, recepção sacerdotal, que desde o tempo dos apóstolos até ao nosso tempo é passada de Bispo para Bispo no sacramento da Ordenação. Segundo a promessa do nosso Salvador, a Igreja permanecerá invencível pelos inimigos até ao final da existência do mundo.

Cremos que no sacramento do Batismo, se perdoam todos os pecados e que através desse sacramento a pessoa se torna membro da igreja, ao qual está aberto o caminho para outros dos seus sacramentos salvadores. No sacramento da Crisma, é dada ao crente a benção do Espírito Santo; no sacramento da penitência ou Confissão são perdoados os pecados cometidos na idade madura; no sacramento da Comunhão que acontece durante a Liturgia, os crentes comungam o verdadeiro Sangue e Corpo de Cristo; no sacramento do Matrimônio, estabelece-se uma união inseparável entre o marido e a mulher; no sacramento da Ordenação, os servidores da igreja, sacerdotes diáconos e bispos são ordenados para servir a Igreja; no sacramento da Unção, é oferecida a cura à doenças espirituais e físicas.

Cremos que antes do fim do mundo, Jesus Cristo, acompanhado pelos anjos virá de novo à terra em glória. E então, todos pela Sua palavra ressuscitarão, ou seja, acontecerá o milagre no qual as almas das pessoas mortas voltarão para os corpos que lhes pertenciam antes de morrerem, e todas elas voltarão à vida. Durante a ressurreição dos corpos dos justos, tanto os ressuscitados como os vivos se renovarão e serão espiritualizados, como o corpo ressuscitado de Cristo. Depois da ressurreição, todas as pessoas comparecerão ao Julgamento de Deus, para que cada uma receba segundo o que fez enquanto viveu no seu corpo, o bem ou o mal. Depois do Julgamento, os pecadores que não se arrependeram, irão para o martírio eterno, – e os justos para a vida eterna. Assim começará o Reino de Cristo que não terá fim.

Com uma só palavra, “Ámen” testemunhamols o fato de que recebemos de todo o coração e que consideramos verdadeira essa profecia da religião Ortodoxa.

O Credo é lido pela pessoa que recebe o batismo, durante a realização desse sacramento. No batismo de um bebê, o Credo é lido pelos padrinhos. Além disso, o Credo é cantado na igreja durante a Liturgia e deve ser lido todos os dias nas orações da manhã. Uma leitura atenciosa do Credo tem grande influência na nossa fé. Isso acontece porque o credo não é apenas uma fórmula da religião, mas é uma oração. Dizendo a palavra “creio,” com disposição para a oração, e as outras palavras do credo, nós damos vida e fortificamos a nossa fé em Deus e em todas as verdades que o credo contém. É por isso que é tão importante para um cristão ortodoxo ler o Credo todos os dias, ou pelo menos regularmente.

Original: fatheralexander.org
Redação corrigida: ortodoxia.pt

Posted in Teologia Ortodoxa

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