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Compêndio da Igreja Apostólica Ortodoxa

O que é a Ortodoxia

“Ortodoxia” = palavra grega que significa “opinião correta”.

É a autêntica Religião Cristã, pregada por Nosso Senhor Jesus Cristo, transmitida pelos Apóstolos e pelos seus sucessores, conservada e ensinada pela Igreja Ortodoxa, através dos séculos, em toda a sua pureza. É a doutrina reta, contida na Sagrada Escritura, na Tradição e nos Sete primeiros Concílios Ecuménicos, sem que nada se lhe aumente ou diminua. É a doutrina ensinada e pregada pela Igreja Ortodoxa para glorificar Deus e salvar as almas, segundo a vontade de Jesus Cristo. É ortodoxo quem segue a doutrina reta e os ensinamentos da Igreja Ortodoxa.

Quem fundou a Igreja Ortodoxa?

A Igreja Ortodoxa foi fundada unicamente por Nosso Senhor Jesus Cristo, em Jerusalém, por ocasião do Pentecostes, quando o Espírito Santo, a fim de que se cumprisse o que tinha sido prometido, desceu, na forma de línguas de fogo, sobre os Apóstolos, os quais se encontravam, juntamente com a Virgem Maria e os demais discípulos, no cenáculo (Atos dos Apóstolos 1:13-15). Esta foi a primeira comunidade cristã ou de crentes em Nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, a primeira Igreja divina e sobrenatural instituída para a salvação dos homens, sendo que Cristo permanecerá com a sua Igreja até a consumação dos séculos, sendo o seu único líder. Existe, portanto, somente uma autoridade suprema: Jesus Cristo, o seu fundador, verdadeiro homem. A partir de Jerusalém, o Evangelho foi difundido pelos Apóstolos nos países vizinhos, tendo sido em Antioquia que os seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo foram, pela primeira vez, denominados cristãos (Atos dos Apóstolos 11:26).

Como se organizou a Igreja Ortodoxa?

Santo Inácio de Antioquia (séc. I D.C) foi o primeiro autor cristão a enumerar os bispos, presbíteros e diáconos como os três graus do ministério cristão, tendo essa hierarquia se fixado na tradição da Igreja. De facto, os ortodoxos atribuem a autoridade máxima ao colégio dos bispos, concedendo um destaque aos Patriarcas como guardiães especiais das fontes da verdade da Igreja.

A Igreja Ortodoxa propaga a autêntica Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo, tal como saiu dos seus lábios e foi pregada pelos Apóstolos no primeiro século da Era Cristã. Segue os seus mandamentos; vive a vida da graça, deixada por Cristo nos sacramentos, após a sua morte e Ressurreição, e os ensinamentos dos Sete Primeiros Concílios, a fim de que todos alcancem a vida eterna. A Igreja é a depositária da Doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo e a continuadora da obra da salvação, do amor e da conquista da vida eterna por toda a terra. Deus prometeu à Igreja a assistência do Divino Espírito Santo, para que ela não venha a cair nem induzir os seus fiéis em erro (“Eu permanecerei convosco até os confins dos séculos”).

A administração dos fiéis cristãos é exercida pelos bispos, presbíteros e diáconos e em cada região há uma autoridade maior, denominada Patriarca. Nos primórdios do cristianismo, o mundo cristão possuía cinco Patriarcados (Pentarquia), assim dispostos em ordem cronológica: Patriarcado de Jerusalém, Patriarcado de Antioquia, Patriarcado de Alexandria, Patriarcado de Constantinopla e Patriarcado de Roma; todos eles com iguais direitos e independência na sua administração. Ao Patriarcado de Roma foi dado o título de “Primus inter pares”, por ser Roma, na época, a capital do império (conforme o Primeiro Concílio Ecuménico, artigo 36), pelo que ficaram os Patriarcados assim dispostos em ordem hierárquica: os Patriarcados de Roma, da Nova Roma – Constantinopla, de Antioquia, de Alexandria e de Jerusalém. A mais alta autoridade da Igreja Cristã, porém, continuou a ser o Concílio Ecuménico, cujas decisões são obrigatórias para todas as Igrejas Cristãs.

Onde está expressa claramente a Doutrina Cristã?

As bases da verdadeira doutrina cristã foram definidas no Primeiro Concílio Ecuménico, convocado por Constantino, o Grande, Imperador de Constantinopla e de todo o Oriente, na cidade de Nicéia, no ano de 325. Os 318 Santos Padres que ali se reuniram compuseram o Credo, ou símbolo da Fé, o qual, em poucas palavras, expressa claramente a crença e a doutrina cristãs. Este Credo foi completado, nos seus últimos artigos, pelo Concílio Ecuménico de Constantinopla (ano 381) e por isso recebeu a denominação de Credo ou Símbolo da Fé Niceno-Constantinopolitano.

O triunfo do Cristianismo foi alcançado três séculos depois da morte de Jesus Cristo, com a paz decretada por Constantino, Imperador de Roma. Até então o Cristianismo era praticado nas catacumbas, às escondidas e sem a prerrogativa da verdadeira liberdade de celebrar todos os seus atos religiosos e dar a conhecer a Cristo (Livro dos Atos dos Apóstolos). Mais tarde, foram convocados outros Concílios Ecuménicos (sete ao todo), com a finalidade de se confirmarem os verdadeiros dogmas cristãos.

Onde se encontram as fontes da Doutrina Ortodoxa?

As fontes da Fé Ortodoxa são duas: a Sagrada Escritura e Santa Tradição. A revelação dada por Deus ao homem sobre o que deve crer e praticar para agradar a Deus e conseguir a sua salvação eterna pode ser encontrada unicamente nestas duas fontes. A única que interpreta e ensina esta Revelação é a Igreja, pois assim o estabeleceu Jesus Cristo, o que é uma prova de segurança de que os cristãos vivem na Verdade, pois Nosso Senhor prometeu assistência aos seus Apóstolos e à sua Igreja. A Bíblia é a Palavra de Deus revelada aos homens por meio dos Patriarcas, Profetas e Apóstolos, nos escritos do Antigo e Novo Testamento.

Pode-se resumir o que foi dito?

A Igreja Ortodoxa teve o seu início na Palestina, com Jesus Cristo, expandiu-se devido às viagens missionárias dos Apóstolos e consolidou-se sobre o sangue dos mártires. A Igreja Ortodoxa não morre, porque descansa sobre Jesus Cristo e tem a promessa de que existirá até os confins dos séculos. Em vão os seus inimigos e todos os impiedosos trataram de destruí-la, negá-la ou persegui-la. Desde o seu nascimento, no ano 33 d.C., a Igreja Ortodoxa, à semelhança do seu Divino Mestre e fundador, Jesus Cristo, padeceu e sofreu terríveis perseguições. Desde o Império Romano, passando pelos otomanos e até os nossos dias ainda sofre-as por parte daqueles que se recusam em querer conhecê-la. Apesar de tudo, subsistiu e triunfou. O sangue de uma infinidade de mártires selou e provou ao mundo a sublimidade do seu amor, a perfeição e a verdade da sua doutrina divina. A Igreja vive e viverá eternamente em Cristo e seguirá confiante nas suas palavras: “Eu estarei no meio de vós até a consumação dos séculos. As portas do inferno não prevalecerão contra Ela.”

Para além da Sagrada Escritura, onde se encontra manifestada a outra fonte da Doutrina Ortodoxa: a Tradição Apostólica?

1º – Nos Sete Concílios Ecuménicos;

2º – Nos escritos dos Santos Padres e demais escritores cristãos;

3º – Nos exemplos dos Apóstolos;

4º – No Credo Niceno-Constantinopolitano:

5º – Nas Liturgias da Igreja;

6º – No magistério permanente da Igreja;

7º – Na legislação eclesiástica.

A Ortodoxia é a Igreja de Cristo na Terra; não é somente uma instituição, mas uma vida nova, com Cristo e em Cristo, dirigida pelo Espírito Santo.

Quem são os Santos Padres?

Desde os primeiros séculos do Cristianismo, que houve grandes Apologistas que puseram a sua inteligência ao serviço de Cristo e do seu ensinamento. Tais personagens, valendo-se da sua ciência e dos seus profundos conhecimentos, produziram diversos escritos, onde explicaram a nova Fé e defenderam-na dos ataques dos seus inimigos e hereges.

Desde sempre, os hereges e as heresias estiveram presentes na Igreja de Jesus Cristo: docetas, gnósticos, arianos, ebionitas, monotelitas, maniqueus, iconoclastas, tendo a Igreja condenado-os, em diversos Concílios, nos quais se estabeleceu a verdadeira Fé.

Dentre os principais escritores do cristianismo primitivo, podem-se destacar dois grupos: os Padres Apostólicos (sucessores imediatos dos Apóstolos) e outros grandes escritores, como o Pastor de Hermas, Santo Inácio, São Policarpo e Pápias, os Santos Padres (os quais defenderam e sistematizaram a verdadeira doutrina teológica da Igreja Ortodoxa) como São Basílio, o Grande, São João Crisóstomo, Santo Atanásio, o Grande, São  Gregório o Teólogo, São Cirilo de Alexandria, São Cirilo de Jerusalém, São Gregório de Nissa, Orígenes, Santo Efrém, o Sírio, o historiador Eusébio e São João Damasceno (que foi o primeiro a compendiar de modo sistemático toda a Teologia Ortodoxa), estes no Oriente, e Santo Agostinho de Hipona, São Jerónimo, Santo Ambrósio, São Hilário de Poitiers, São Gregório Magno e São Leão Magno, no Ocidente.

O período desta era patrística cristã abrange desde o ano 100 até o ano 900 d.C.. A Igreja tem grande veneração por esses sábios, tanto pelo seu ascetismo como pela sua ciência, sendo os mesmos testemunhas verídicas e inquestionáveis do primitivo cristianismo, juntamente com os Concílios, a principal fonte da Tradição Divina e Apostólica.

O que quer dizer: a Igreja é uma vida misteriosa em Cristo?

A Ortodoxia é a Igreja de Cristo sobre a terra, é uma nova vida com Cristo e em Cristo, dirigida pelo Espírito Santo. A luz da ressurreição de Cristo – o triunfo sobre a morte – reina sobre a Igreja. O Senhor ressuscitado vive connosco e a nossa vida na Igreja é uma vida misteriosa em Cristo. Os cristãos recebem este nome precisamente porque são de Cristo; vivem em Cristo e Cristo vive neles. A Encarnação não é unicamente uma ideia ou uma doutrina; é, acima de tudo, um facto que se produziu uma vez no tempo, mas que possui toda a força da eternidade. Esta Encarnação faz perpetuar, sem confusão, as duas naturezas de Cristo: a natureza Divina e a natureza humana, as quais formam a Igreja.

O que quer dizer: a Igreja é o Corpo Místico de Cristo?

A Igreja é o Corpo Místico de Cristo enquanto unidade de vida com Ele. Expressa-se a mesma ideia quando se dá à Igreja o nome de Esposa de Cristo ou Esposa do Verbo. A Igreja, enquanto Corpo de Cristo, não é Cristo-Deus-homem, pois Ela não é mais que a sua humanidade; mas é a vida em Cristo e com Cristo, a vida de Cristo em nós: “Não sou mais eu quem vive, é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2:20). A Igreja, na qualidade de Corpo de Cristo, que vive da vida de Cristo, é por Ele mesmo o domínio, onde está presente e onde opera o Divino Espírito Santo, porque Ela é o Corpo de Cristo. Eis aqui, porque se pode definir a Igreja como uma vida bendita no Espírito Santo: diz-se algumas vezes, também, que Ela é o Espírito Santo, que vive na humanidade. A Igreja é a obra da Encarnação do Verbo, Ela é a Encarnação: Deus assemelha-se ao homem e o homem assemelha-se a Deus. É a deificação (theosis) da natureza humana, consequência da união das duas naturezas em Cristo. Então, a Igreja é o Corpo de Cristo: através da Igreja, os cristãos participam da vida divina da Santíssima Trindade. Ela é a vida em Cristo; logo, a Igreja é o Corpo de Cristo, que permanece indissoluvelmente unido à Santíssima Trindade.

O que quer dizer: a Igreja existe em nós?

A Igreja é uma experiência de vida (“Vinde e vede”). Não se concebe a Igreja apenas como uma instituição à qual pertencem os que foram batizados, mas sim como uma experiência de vida onde estes se encontram com Deus, onde podem glorificar, render graças e pedir ajuda a esse Pai carinhoso e sempre pronto a ajudar os seus filhos. A essência da Igreja é a vida divina, a qual se revela na vida das criaturas. A Igreja, pela Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo e pela força do Espírito Santo, em Pentecostes, transmite a vida espiritual, escondida no “homem secreto,” na “câmara interior” do seu coração.

A Igreja é um mistério e um Sacramento?

A vida da Igreja é a vida da fé, pela qual as coisas deste mundo se tornam transparentes, existe sobre a natureza, é compatível com a ideia deste mundo, fazendo dela um objeto de fé: “Eu creio na Santa Igreja Católica e Apostólica.” É através da Igreja que o homem se torna universal, que a sua vida em Deus se une à vida de toda a criação, descortinando-se para o amor cósmico. Esta Igreja une não somente os vivos, mas, também os mortos, as hierarquias dos anjos, do mundo e do homem. Ela perde-se na eternidade: “Eu estarei convosco até os confins dos séculos”. Certamente a Igreja não alcança a plenitude da sua existência a não ser depois da Encarnação do Verbo, mas foi concebida pelo Verbo e foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo. A vida indivisível da Igreja, a vida da fé, está indissoluvelmente unida às formas terrestres. Ela tem um começo na história e estabeleceu a “Nova Aliança” entre Deus e os homens (Sergei Boulgakoff – L’Ortodoxie – Cap. 1 – Sous le titre L’Église).

Por isso, tem o poder de proclamar a Verdade. Os Concílios são, antes de tudo, a expressão tangível do espírito de conciliação e realização da Igreja, da sua verdade. Não é necessário considerar um Concílio como uma instituição puramente exterior, que proclama, por via de autoridade, uma lei divina ou eclesiástica, uma verdade inacessível aos membros isolados da Igreja. É necessário recordar sempre que o Concílio, seja ou não ecuménico, é mais do que um órgão exterior, estabelecido para a proclamação infalível da verdade e instituído para tal propósito. A Igreja, antes dos Concílios e sem os Concílios, era “Católica e infalível.” Ela subordinaria a um ato externo, tal qual assembleia eclesiástica, a ação do Espírito Santo? Somente a Igreja pode dar testemunho da verdade e conhecê-la em sua própria identidade. A quem pertence o poder de proclamar a verdade doutrinal? Ao poder eclesiástico, combinado entre os irmãos do episcopado. Mas esta proclamação, o órgão do poder eclesiástico não se torna, por si mesmo, o possuidor da infalibilidade. Este não pertence mais do que à Igreja em sua ecumenicidade. O poder eclesiástico (Concílio dos Bispos) é o órgão legal da proclamação da verdade e a própria consciência da Igreja, expressão da verdade. Ele, o Concílio, torna-se, de alguma maneira, um todo em prol de todos (Sergei Boulgakoff –  L’Orthodoxie – cap. 3 – La Hierarchie Eclesiastique).

Onde obter o conhecimento das resoluções da Igreja Católica Ortodoxa?

Para responder a essa pergunta devemos reunir as seguintes fontes de informações:

– As Sagradas Escrituras;

– O Direito Apostólico (Nomocanon: Regras da lei);

– As disposições e artigos dos Concílios Ecuménicos;

– As disposições eclesiásticas permanentes.

A Igreja Ortodoxa, para a sua correta organização e administração, possui o seu Direito Canónico Ortodoxo, que pode ser encontrado no chamado Nomocanon, uma compilação de leis e regulamentos eclesiásticos. “Ensinai aos homens a observar tudo aquilo que Eu os vos tenho ensinado” (Mateus 28:20). É devido à sua divina constituição que a Igreja, como guardiã da Lei Sagrada, tem o direito de estabelecer cânones (canon = regra), de julgar e, se necessário, aplicar sanções: “Quem vos escuta, a Mim escuta; quem vos despreza, a Mim despreza” (Lucas 10:16). Desde as suas origens, a Igreja tem a consciência da sua responsabilidade e da sua ordem histórica. O Concílio de Jerusalém, por exemplo, regulou as questões relativas aos cristãos de origem judaica (Atos dos Apóstolos 15:22). Também o fez São Paulo ao se referir às questões das assembleias, às qualidades exigidas aos bispos e ao uso dos carismas. Durante os três primeiros séculos, a Igreja fez uso do seu direito de resolver as questões eclesiásticas e esse costume se encontra na Didaqué (fins do século I e princípio do século II), na tradição apostólica de Hipólito (princípio do séc. III), na Didascália dos Apóstolos (até o ano 250) e nas constituições Apostólicas (até 380).

O que se tem ainda como História da Igreja?

No século IV, a Igreja entra no tempo dos Concílios regulares. São muitas as coleções que nos apresentam os históricos dos Cânones (como, por exemplo, a Coleção de João, o Escolástico, no ano 550). A harmonia dos poderes da Igreja e do Império explica a presença do Direito Eclesiástico nas coleções jurídicas do Império de Teodósio ou de Justiniano (Digesto Novas, etc.). Mais tarde, apareceram os trabalhos de canonistas como Balsamon e Zonares. A Ortodoxia não possui um código unificado, mas sim códigos locais que remontam à Idade Média. Na Igreja Ortodoxa a autoridade máxima é o Concílio Ecuménico, cujas decisões abrangem toda a Igreja de Cristo. A infalibilidade aplica-se à totalidade da Igreja, representada na reunião de todos os bispos em concílio. Historicamente, o período dos Concílios Ecuménicos representa para os ortodoxos um período normativo. A Igreja Ortodoxa reconhece sete Concílios Ecuménicos:

Concílio Ano d.C. Doutrina
1.o – Nicéia 325 Divindade de Jesus Cristo. Condenação de Ário.
2.o – Constantinopla I 381 Divindade do Espírito Santo. Condenação de Macedónio.
3.o – Éfeso 431 Maternidade Divina de Maria. Condenação de Nestório. Em Cristo, uma hipóstase, a divina.
4.o – Calcedónia 451 Dualidade da natureza em Jesus Cristo: Condenação de Eutíquio, que ensinava o monofisismo.
5.o – Constantinopla II 553 Condenou as obras escritas pelos seguidores do herege Nestório.
6.o – Constantinopla III 680 Dualidade de vontades em Jesus Cristo, não contrariadas uma pela outra, mas sendo a vontade humana sujeita à vontade Divina. Condenação do Monotelismo.
7.o – Niceia II 787 Condenação do Iconoclasmo.

No Sétimo Concílio Ecuménico, o de Nicéia II (787), definiu-se a doutrina Ortodoxa das imagens (Ícones).

Porque se dá tanto valor a um Concílio Ecuménico?

O Concílio local é uma reunião de pastores e doutores da Igreja, mas não de todo o mundo cristão. O valor do Concílio Ecuménico, porém, é universal. Os Santos Apóstolos deram o primeiro exemplo destas reuniões, comparecendo ao primeiro Concílio Apostólico em Jerusalém, presidido por São Tiago Apóstolo. A Igreja é uma reunião de crentes unidos na comunhão da fé Ortodoxa, na Legislação Divina, na sagrada instituição do Sacerdócio e nos Sagrados Sacramentos. Os cristãos têm a certeza de que Nosso Senhor Jesus Cristo é o único líder da Igreja, porque assim nos ensina São Paulo: “Porque ninguém pode pôr outro fundamento, fora aquele que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (I Coríntios 3:11).

A Ortodoxia hoje

A Igreja Ortodoxa é Una, porque é um só corpo espiritual, possui um só líder, Jesus Cristo e está animada, dotada de vida, por um só Espírito de Deus. A sua unidade expressa-se na mesma fé, na comunhão entre os fiéis, nas orações e nos Sacramentos.

É Santa como a sua base, que é o Nosso Senhor Jesus Cristo, porque nela mora o Espírito Santo, que a santifica e que produz frutos santos.

É Católica, Universal ou Ecuménica pois abrange a todos os fiéis, de todos os lugares, de todos os povos ou regiões. Está aberta a todo aquele que a Ela desejar unir-se (Mateus 28:18-12).

É Apostólica, porque conserva sem interrupção a doutrina de Jesus Cristo e dos dons do Espírito Santo, desde os tempos dos Apóstolos.

Nas últimas décadas, a Igreja Ortodoxa renasceu, com novos desafios, tendo chegado a nações da terra que antes não a conheciam.

Concluindo… porque Sou ortodoxo?

Sou ortodoxo porque pertenço à sociedade de fiéis cristãos unidos pela Fé Ortodoxa e que vivem conforme aquilo que Ela ensina, obedecendo aos seus Pastores em tudo o que contribui para a glória de Deus e à salvação da alma. Sou ortodoxo porque vivo e pratico a fé e a virtude na Igreja. Considero-me seu membro, por meio do Santo Batismo; assisto à Sagrada Liturgia; acerco-me dos Santos Sacramentos; escuto a Voz de Deus através dos seus Vigários; trato de viver da Graça que se derrama continuamente sobre todos os seus filhos. Sou ortodoxo, porque amo o verdadeiro Deus e a Jesus Cristo, o seu Filho Unigénito, e o Divino Espírito Santo; amo e procuro seguir a sua Doutrina, cumprindo assim o que ensina e prega a Santa Igreja Católica Apostólica Ortodoxa. Sou ortodoxo porque creio exatamente no que os Apóstolos ensinaram. Sou ortodoxo porque creio nas verdades que a Ortodoxia ensina e que estão contidas no Credo Niceno-Constantinopolitano, onde se afirma:

Creio em Um só Deus: Pai, Omnipotente, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.

E em Um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos. Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado e não criado, consubstancial ao Pai, por Quem tudo foi feito.

O qual, por nós, homens, e pela nossa salvação, desceu dos Céus e Se encarnou pelo Espírito Santo e da Virgem Maria e Se fez homem.

E por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras.

E subiu aos Céus e está sentado à direita do Pai, e novamente virá com glória para julgar os vivos e os mortos, e o Seu Reino não terá fim.

E no Espírito Santo, Senhor Vivificante, que procede do Pai e que é adorado e glorificado juntamente com o Pai e o Filho e que falou pelos profetas.

E na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.

Confesso um só batismo para a remissão dos pecados.

Espero a ressurreição dos mortos e a vida do século vindouro. Ámen.

Original: fatheralexander.org
Redação corrigida: ortodoxia.pt

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