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Categoria: Liturgia e Sacramentos

Padre John A. Peck – Pão Eucarístico: Fermentado ou Ázimo?

A partir do século IX, o uso do pão ázimo tornou-se obrigatório no Ocidente, enquanto a Ortodoxia continuou a utilizar, exclusivamente, o pão fermentado. A questão tornou-se objeto de divisão quando as províncias da Itália bizantina — que estavam sob a jurisdição do Patriarca de Constantinopla — foram incorporadas, pela força, à Igreja de Roma, após a sua invasão pelos exércitos normandos. Nesse momento, o uso dos pães ázimos foi imposto aos ortodoxos do sul da Itália.

Na Bíblia, o pão ázimo é assim chamado, enquanto o pão fermentado é, simplesmente, chamado de pão. Os judeus, já naquele tempo, teriam esse entendimento, assim como os primeiros cristãos. Quando lemos que “Jesus tomou o pão”, este tem o significado de pão fermentado. Foi por essa razão, que os cristãos, primeiramente instruídos pelos Apóstolos e, algum tempo depois, ao ler sobre isso nos Evangelhos, implementaram o seu uso.

Na Ceia Mística, é óbvio que o Nosso Senhor pretendeu introduzir mudanças ao fazer a ligação entre a Ceia da Páscoa e a Eucaristia. Uma dessas mudanças, obviamente, era a utilização do pão fermentado (levedado), em vez do não-fermentado. O mundo estava vazio e desprovido de graça antes da vinda de Cristo, como é simbolizado pelos pães ázimos, que são planos, mas depois encheu-se da glória da Sua Ressurreição, como representado pelo pão fermentado. Cristo fez a devida alteração e a Igreja seguiu a Sua instrução.

O Jejum e a Grande Quaresma

O Triodion

A Grande Quaresma abrange o período de quarenta dias de preparação espiritual que antecede a festa mais importante do ano cristão, a Santa Pascha (que significa “passagem” e é comumente chamada de Páscoa). Esta é a parte central dum período maior de preparação chamado de Tempo do Triodion.

O Triodion tem o seu início dez semanas antes da Páscoa e é dividido em três partes principais: as três semanas da Pré-quaresma (a fim de preparar os nossos corações para a Páscoa), as seis semanas da Quaresma e a Semana Santa. O tema principal do Triodion é o arrependimento, ou seja, o retorno da humanidade a Deus, o nosso Pai amoroso.

Esse período anual de arrependimento é uma jornada espiritual partilhada com o nosso Salvador. O nosso objetivo é encontrar o Senhor Jesus ressuscitado, que assim nos reúne com o Deus-Pai, O qual está sempre à nossa espera de mãos estendidas. Devemos, então, nos perguntar: “Estamos dispostos a recorrer a Ele?”

Durante a Grande Quaresma, a Igreja ensina-nos como fazê-lo, utilizando, para isso, os dois grandes meios de arrependimento: a oração e o jejum. 

BATISMO E CRISMA – O início de uma nova vida

Introdução

Nas palavras do Nosso Senhor Jesus Cristo, o princípio da salvação do ser humano está no seu renascimento espiritual: () Em verdade, em verdade te digo que quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne, é carne, e o que nasceu do Espírito, é espírito” (João 3:5-6). Este nascimento com a água e o Espírito é efetivado no mistério do batismo.

No batismo, o ser humano purifica-se das impurezas do pecado, liberta-se da escravidão das paixões e renasce para uma vida espiritual. O batismo é de tamanha força espiritual que se realiza apenas uma vez, apesar de, após o batismo, a vida do ser humano poder vir a não corresponder a uma elevada vocação cristã. Sob este ponto de vista, o batismo pode se assemelhar a uma lamparina espiritual, acesa pelo Espírito Santo no coração do ser humano. A chama desta lamparina pode ora aumentar, ora diminuir, mas nunca será totalmente extinguida. O nosso objetivo mais importante é aumentar esta chama sagrada a fim de que se transforme numa brilhante labareda.

Neste artigo, tentaremos revelar o significado e a força do mistério do batismo e a sua ligação com o mistério do Crisma, na esperança de que, tendo um conhecimento mais profundo acerca destes santos mistérios, o leitor possa ser induzido a aproveitar-se da grande riqueza espiritual adquirida através do batismo.

Photios Kontoglou – Diferença entre música eclesiástica e música secular

A música é de dois tipos (como são as outras artes também) — secular ou eclesiástica. Cada um deles foi desenvolvido por diferentes sentimentos e diferentes estados da alma. A música secular expressa sentimentos e desejos mundanos (isto é, carnais). Embora esses sentimentos possam ser muito refinados (românticos, sentimentais, idealistas etc.), eles não deixam de ser carnais. No entanto, muitas pessoas acreditam que esses sentimentos são espirituais. No entanto, sentimentos espirituais são expressos apenas pela música eclesiástica. Somente a música eclesiástica pode expressar verdadeiramente os movimentos secretos do coração, que são completamente diferentes daqueles inspirados e desenvolvidos pela música secular. Isto é, expressa contrição, humildade, sofrimento e pesar piedoso, que, como diz Paulo, “opera o arrependimento para a salvação”. A música eclesiástica também pode evocar sentimentos de louvor, agradecimento e entusiasmo sagrado. A música secular, por outro lado – mesmo a mais pura – expressa emoções carnais, mesmo quando é inspirada por sofrimento e aflição. Esse tipo de sofrimento, Paulo chama de “pesar mundano”, que “opera a morte”.

Padre Thomas Fitzgerald – A Sagrada Eucaristia

 “Nós não sabíamos se estávamos no céu ou na terra, pois certamente não existe tal esplendor ou beleza em lugar algum na terra. Nós não conseguimos descrever para você; nós só sabemos que Deus habita lá entre homens e que o Serviço deles supera a adoração de outros lugares…”

Na parte final do século décimo, Vladimir, o Príncipe de Kiev enviou emissários a vários centros Cristãos para estudar a forma deles de adoração. Estas são as palavras que os enviados proferiram quando eles reportaram a sua presença na celebração da Eucaristia na Grande Igreja da Santa Sabedoria, em Constantinopla. A experiência profunda expressada pelos enviados Russos tem sido uma partilhada ao longo dos séculos por muitos que testemunharam pela primeira vez a bela e inspiradora Divina Liturgia da Igreja Ortodoxa.

Padre Pedro Pruteanu – Acerca do divórcio e do segundo casamento

Pergunta: Reverendíssimo padre Pedro, explique-nos, se faz favor, se a Igreja Ortodoxa aceita o divórcio e o novo casamento e em quais condições? Como é rompido, neste caso, o vínculo do primeiro casamento e que relação espiritual restará entre os cônjuges após o divórcio ou a morte?

Resposta: A questão é muito séria e delicada e a interpretação e a aplicação dos princípios bíblicos ligados ao casamento, muitas vezes, são feitas tendo em conta as paixões humanas e não a vontade divina. O tempo não me permite fazer uma análise completa da doutrina da Igreja sobre este tema, mas tentarei sistematizar as seguintes ideias:

Entrada da Mãe de Deus no Templo

Pergunta

Eu não sou Ortodoxo, por isso perdoe a minha confusão sobre isto. Eu estou a olhar para um Ícone onde os Pais de Maria estão a apresentá-la ao Sumo Sacerdote para que seja consagrada a uma vida no Templo. A Tradição Religiosa com a qual eu sou familiar (Católico Romano de Rito Latino) não têm ensinamentos sobre isto, e eu também não encontro nenhuma referência Bíblica.

De onde veio esta ideia? Não estou a contestar, mas apenas curioso.