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São Porphyrios – Melancolia, Tristeza e Ansiedade. Terapia Espiritual Ortodoxa

O ponto crucial é entrarmos para a Igreja – nos unirmos aos nossos irmãos, às alegrias e tristezas de todos, sentir suas circunstâncias como se fossem as nossas, orar por todos, nos doermos pela salvação deles, esquecermos de nós mesmos, fazermos tudo pelos outros, como Cristo fez por nós. Na Igreja nos tornamos um com cada pessoa triste, com cada sofredor, com cada pecador. Ninguém pode planear salvar-se sozinho, sem a salvação dos outros. É errado rezarmos pedindo para nos salvarmos. Devemos amar os outros e orar para que ninguém se perca, para que todos entrem para a Igreja. É isso que importa. E é com tal desejo que se deve sair do mundo para ir para um mosteiro ou para o deserto.

Na igreja, que possui os mistérios (sacramentos) que salvam, não há desespero. Podemos até ser extremamente pecadores, mas confessamos, o padre lê a oração sobre nós e assim somos perdoados e caminhamos para a imortalidade, sem ansiedade, sem medo.

Quem vive em Cristo, torna-se um com Ele, com Sua Igreja. É uma coisa louca! É uma vida diferente da vida humana. É alegria, luz, escuridão, é um impulso. Isso é que é a vida da Igreja, a vida do Evangelho, do Reino de Deus. “O Reino de Deus está dentro de vós” (S. Lucas 17:21). Cristo veio em nós e nós estamos n´Ele. E somos assim como um pedaço de ferro que se coloca no fogo se tona fogo e luz; e fora do fogo, novamente torna-se ferro negro, escuridão.

Os que culpam a Igreja pelos erros de seus representantes, buscando supostamente ajudar em sua correção, estão grandemente enganados. Não amam a Igreja, e nem a Cristo, com certeza. Nós amamos a Igreja, quando em oração, abraçamos todas as suas partes, assim como Cristo faz. Nos sacrificamos, ficamos alertas, fazemos tudo exatamente como ele, Aquele “que, quando insultado não insultava de volta, quando sofria, não respondia com ameaças” (1 Pedro 2:23).

Temos que prestar atenção também ao que é básico. Temos que viver os mistérios, especialmente o mistério da Santa Comunhão. É neles que a Ortodoxia é encontrada. Cristo é ofertado à Igreja através dos mistérios e primariamente através da Santa Comunhão.

Entretanto, para muitos, nossa religião é um sofrimento, agonia e ansiedade. Por essa razão muitas pessoas “religiosas” são consideradas infelizes, pois os outros veem o seu mal-estar. De fato, se a pessoa não consegue ver a profundidade da religião e não a vive, a religião acaba sendo uma doença e das mais terríveis. Tão terrível, que a pessoa perde o controlo de suas ações, torna-se de vontade fraca e impotente, fica em agonia e estressada, e comporta-se sob a influência de um espírito do mal (significando uma energia demoníaca). Ele prostra-se, chora, berra, é supostamente humilde e toda essa humildade é um teatro satânico. Para algumas dessas pessoas a religião é um tipo de inferno. Na Igreja prostram-se, fazem o sinal da cruz, dizem “somos pecadores indignos” e assim que saem, começam a blasfemar contra o que é santo assim que algo os perturba minimamente que seja. É claro que tem um demônio no meio dessa história.

Na realidade, o Cristianismo transforma a pessoa e a cura. O pré-requisito mais importante, porém, para termos perceção e discernirmos a verdade é a humildade. O egoísmo escurece a mente, a confunde, a leva a enganos, a heresias. É muito importante que sejamos capazes de compreender a verdade.

Todos os confusos estão indo para grupos heréticos – crianças confusas de pais confusos.

Normalmente, nem obras, nem arrependimento, nem o sinal da cruz atraem a graça. O mais importante é evitar formas e ir direto à substância. Tudo que acontece deve acontecer com amor.

Quando você não vive com Cristo, vive com a melancolia, a tristeza, o estresse, a aflição. Você não vive corretamente. Então muitas anomalias aparecem no seu corpo. O corpo é afetado, as glândulas endócrinas, o fígado, o baço, o pâncreas, o estômago. E te dizem: “Para ficar saudável, você deve tomar leite de manhã, um ovo, manteiga e pães torrados.” E porém, se você vive corretamente, se você ama Cristo, você fica bem com uma maçã e uma laranja. O maior de todos os remédios é oferecer toda sua vida em devoção a Cristo. Tudo é curado. Tudo funciona adequadamente. O amor de Deus transforma tudo; Ele altera, santifica, corrige, ele transforma, modifica; Ele muda tudo.

Nada é comparável ao amor de Cristo. Ele não acaba, e mais é sempre melhor. Ele transmite vida, dá força, dá saúde, sempre doando tudo. Enquanto o amo humano pode desgastar uma pessoa ou enlouquece-la, quanto mais Ele se doa, mais queremos amá-Lo. Quando amamos Cristo, todos os outros amores retrocedem. Os outros amores têm um ponto de saturação. O amor de Cristo não. O amor carnal tem um ponto de saturação. Pode causar ciúme, reclamações e até assassinato. Pode transformar-se em ódio. Já o amor a Cristo não se deteriora. O amor mundano pode ser preservado por um tempo, mas então aos poucos se apaga, enquanto o amor divino continua crescendo e se aprofundando. Todos os outros amores podem levar a pessoa ao desespero. Mas o amor divino, nos eleva ao domínio de Deus, nos dá serenidade, alegria, completude. Outros prazeres nos cansam enquanto esse nunca é demais. É um prazer insaciável, do qual ninguém nunca se cansa. É o maior dos bens.

Quando você ama Cristo apesar de suas fraquezas e até de ter consciência de todas elas, você tem a certeza de ter superado a morte, porque você reside na comunhão do amor de Cristo.

Temos que sentir Cristo como nosso amigo. Ele é nosso amigo. Ele mesmo o confirma quando disse: “Vocês são meus amigos…” (S. João 15:14). Temos que olhar para Ele, e nos aproximarmos d´Ele como um amigo. Caímos? Pecamos? Devemos correr para Ele com um sentimento de familiaridade, com amor e confiança; não com medo de punições mas com a coragem que só um sentimento de amizade dá. E temos que dizer para Ele: “Senhor, eu fiz de novo, eu caí, me perdoe”. Mas ao mesmo tempo temos que sentir que Ele nos ama, que é com ternura e amor que Ele nos aceita de volta e nos perdoa. Não temos que ficar separados de Cristo por causa do pecado. Quando acreditamos que Ele nos ama e nós O amamos, não nos sentiremos isolados e divididos, mesmo quando pecamos. Temos segurança do amor dele, e não importa como nos comportemos, Ele nos ama.

O Evangelho com certeza afirma simbolicamente que o injusto se encontrará onde há “choro e ranger de dentes”; é assim que é estar longe de Deus. E os pais népticos (*vigilantes) da nossa Igreja podem falar de medo da morte e do inferno. Eles dizem “mantenha a morte na sua lembrança”. Se examinarmos essas palavras de perto, elas criam um medo do inferno. Quando o homem tenta evitar o pecado, ele traz esses pensamentos à mente para que sua alma se detenha por medo da morte, do inferno e do demónio.

Todos têm seu significado, hora e ocasião. O medo, enquanto conceito, é bom durante os estágios iniciais. É para os iniciantes, para aqueles nos quais seu velho eu ainda vive. O iniciante, não tendo sido refinado ainda é contido do mal pelo medo. E o medo é necessário enquanto nós somos ainda materiais e decaídos. Mas é um estágio, um grau baixo de relacionamento com o divino. O tomamos como uma troca, de modo que possamos ganhar o paraíso e escapar do inferno. Quando o homem avança e entra no amor de Deus, que necessidade há do medo? Tudo que ele faz, ele faz em amor, e isso é de muito mais valor. Tornar-se bom por medo de Deus e não por amor é de pouco valor.

Quem quer tornar-se um Cristão deve primeiro tornar-se um poeta. Se a alma é esmagada e torna-se indigna do amor de Deus, Cristo deixa de Se relacionar, porque Ele não quer almas grosseiras perto de Si.

Deixe que ninguém te dê atenção, ninguém entenda seus gestos de devoção para com o divino. Faça tudo em particular, em segredo, como os ascetas. Lembra-se do que eu falei sobre o rouxinol? Ele gorjeia no bosque sem que ninguém ouça. E daí que ninguém esteja ouvindo, elogiando? Que belo chilrear no mato! Reparou como sua laringe se infla? É isso que acontece com aquele que ama o Cristo. Se amam, “sua garganta se enche, eles são tomados, sua língua não sabe parar”. Eles vão para uma caverna, um vale e vivem Deus em segredo, em “suspiros silenciosos”.

Desprezem suas paixões, não se preocupem com o demónio. Voltem-se para Cristo.

A graça divina nos ensina nosso dever. Para atraí-la, precisamos de amor, desejo ardoroso. A graça de Deus precisa de amor divino. O amor é suficiente, para nos deixar “em forma” para a oração. Cristo irá se derramar sobre nosso coração, desde que Ele possa encontrar as coisas que O agradam: boa intenção, humildade e amor. Sem essas coisas, não temos como dizer, “Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim”.

Até o menor resmungo contra seu próximo afeta negativamente sua alma e o deixa incapaz de orar. Quando o Espírito Santo encontra a alma nesse estado, Ele não ousa se aproximar.

Temos que pedir que se faça a vontade de Deus. Isso é o mais benéfico, o mais seguro para nós e para aqueles por quem rezamos. Cristo irá conceder-nos tudo abundantemente. Quando existe até uma pequena gota de egoísmo, nada acontece.

Quando Deus não nos dá aquilo que pedimos persistentemente, Ele tem seus motivos. Deus tem Seus segredos também.

Se tu não és obediente (ao seu pai espiritual) e não tens humildade, a oração (isto é, “Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim” não terá efeito e há que se temer ilusões.

Não deixe a oração “Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim” tornar-se um trabalho tedioso. Pressão demais pode trazer uma reação interna e causar dano. Muitas pessoas adoeceram com oração porque se pressionaram demais. Certamente você pode fazê-lo, quando se torna algo tedioso, mas não é saudável.

Não é necessário concentrar-se de modo especial para dizer a oração. Você não tem que por esforço nisso quando tem amor divino. Onde quer que esteja, em um banquinho, numa cadeira, num carro, em qualquer lugar, na rua, na escola, no escritório, no trabalho, você pode dizer a oração “Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim”, suavemente, sem pressão, sem forçar.

O que é importante na oração não é a duração, mas a intensidade. Ore mesmo que por cinco minutos, mas dê a Deus todo seu amor e seu desejo. Uns podem orar toda a noite, e no entanto esses cinco minutos serem superiores. É um mistério, mas é assim que é.

Uma pessoa de Cristo transforma tudo em oração. Ela transforma a dificuldade e a tristeza em oração. Tudo que lhe acontece, ela imediatamente diz: “Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim”. A oração beneficia tudo, até as menores coisas. Por exemplo, se você sofre de insónia, não pense no sono. Se levante, vá lá fora, volte para seu quarto, deite-se novamente como se fosse pela primeira vez, sem preocupar-se se vai dormir ou não. Concentre-se, diga a doxologia e então três vezes “Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim” e conseguirá dormir.

Tudo dentro de nós, instintos e tudo mais, clamam por realizar-se. Se não os realizamos, eles se vingam de nós, a menos que os redirecionemos para outro lugar, para o mais alto, para Deus.

Você não se torna santo caçando o mal. Esqueça o mal. Olhe para Cristo e Ele irá salvá-lo. Ao invés de ficar do lado de fora da porta para expulsar o inimigo, ignore-o. O mal está vindo nessa direção? Gentilmente vá na outra. Quer dizer, se o mal vem ataca-lo, dedique sua força interna para o bem, para Cristo. Implore “Senhor Jesus Cristo, tem piedade de mim”. Ele sabe como ter piedade de você, de que modo. E quando você estiver cheio com o bem, você não mais se voltará para o mal. Você se tornará bom por si mesmo, pela Graça de Deus. Como o mal encontraria terreno? Ele desaparece.

Alguma fobia ou deceção tomam conta de você. Volte-se para Cristo. Ame-O com simplicidade, com humildade, sem exigências e Ele irá libertá-lo.

Não escolha modos negativos de se corrigirem. Vocês não tem que ter medo do diabo, do inferno, de nada. Isso só cria reflexos. Eu também tenho alguma experiência nessas coisas. O ponto é não sentarmos, nos batendo ou forçando a nós mesmos a melhorar. O ponto é viver, estudar, orar, avançar no amor, no amor de Cristo, no amor da igreja.

Abandone toda sua fraqueza para que o espírito inimigo (o diabo) não se dê conta dela e o mergulhe nela e o mantenha na aflição. Não faça nenhum esforço para se libertar delas. Empenhe-se com gentileza e simplicidade, sem forçar e sem ansiedade. Não diga para si mesmo: “Agora eu vou me forçar, eu vou orar e vou obter amor, vou conseguir me tornar bom, etc.”. Não é bom forçar-se e se bater para se tornar bom. Dessa forma você só vai ter mais reações. Tudo deve acontecer de uma forma suave, livremente, sem pressa. Também não diga: “Deus me libertou”, por exemplo da raiva, ou da tristeza. Não é bom pensar e/ou orar sobre uma paixão em particular. Algo acontece na sua alma e ela se enrola mais ainda. Atire-se a superar uma paixão e verá que ela te envolverá, te agarrará e você não conseguirá fazer nada.

A liberdade não pode ser conquistada, se não nos libertamos internamente da confusão de nossas paixões.

É isso que nossa Igreja é, nossa alegria, isso é tudo para nós. E é isso que o homem busca hoje em dia. E ele toma venenos e drogas para entrar em mundos felizes, mas é uma alegria falsa. Ele sente algo naquele momento em particular, mas no dia seguinte está arrasado. Uma coisa o fere, o devora, o esmaga e o queima. Enquanto a outra, que é doar-se para Cristo, o vivifica, o alegra, faz com que aproveite a vida, sinta-se forte e magnífico.

A habilidade de santificar a alma é uma grande arte. Podemos nos tornar santos em qualquer lugar. Aténa Omónia (a mais importante praça pública de Atenas) podemos nos santificar, se quisermos. Vocês podem se tornar santos no trabalho, não importa qual seja – com serenidade, paciência e amor. Cada dia deve ser um novo começo, um novo clima, com entusiasmo e amor, oração e silêncio – mas não com estresse e um coração pesado.

Trabalhe atentamente, com simplicidade, gentileza, sem ansiedade, com alegria e leveza, com bom ânimo. Então a graça divina vem.

Todas as coisas desagradáveis que ficam na sua alma e te estressam, podem se tornar mais um motivo para adorar a Deus e assim pararem de te machucar. Confie em Deus.

Não existe motivo para ficar tentando forte demais e se forçar. Todo seu esforço deve estar focado em olhar para a luz, alcançar a luz. Dessa forma, ao invés de se voltar para a aflição que não é um espírito de Deus, você deve se voltar para o louvor a Deus.

A aflição mostra que não confiamos nossa vida à Deus.

Quando a comunicação com Cristo acontece de forma simples, suave, sem pressão, ela faz com o que o demônio fuja. Satanás não foge da pressão, do estresse. Ele se distancia da serenidade e da oração. Ele retrocede quando vê que a alma o ignora e se volta para Cristo com amor. Ele não consegue aceitar a indiferença porque é arrogante. Mas o espírito do mal entende quando vocês se forçam, e consegue dar combate. Não ligue para o diabo, nem mesmo fique pedindo que ele se vá. Quanto mais você pede, mais ele te enreda. Ignore o diabo. Não lute diretamente com ele. Quando você, por cabeça-dura, luta com o demônio, ele ataca de volta como um tigre, um gato selvagem. Quando dá tiros nele, ele joga de volta uma granada. Quando você joga uma bomba, ele atira de volta um míssil. Não olhe para o mal. Olhe para os braços de Deus, se deixe cair em Seus braços e siga em frente.

Uma pessoa humilde está consciente do seu estado interior, e não importa o quão feio ele seja, ela não perde sua personalidade, nem seu equilíbrio. O contrário acontece com o egoísta, com quem tem sentimentos de inferioridade. No início, ele parece uma pessoa humilde. Mas se for tentando só um pouco, ele já perde sua paz, se irrita e fica com raiva.

Quando a pessoa vive sem Deus, sem paz, sem confiança, em ansiedade, depressão, falta de esperança, acaba desenvolvendo doenças físicas e psicológicas. Doenças psicológicas, neurológicas, são estados demoníacos. Também é demoníaco falar buscando demonstrar humildade. É um tipo de sentimento de inferioridade. A humildade verdadeira não busca se mostrar, não se dá ares de humildade, mas pensa “sou pecador, indigno, o menor de todos”. Uma pessoa humilde tem medo de cair na vanglória, pois Deus não se aproxima de tais coisas. Em contraste, a graça de Deus pode ser encontrada onde há verdadeira humildade, perfeita confiança em Deus, e dependência d´Ele.

A pessoa que se vangloria aliena sua ama da vida eterna. Em última análise, o egoísmo é uma tolice completa! A vanglória nos deixa ocos. Quando nos submetemos a ficar aparecendo, acabamos completamente vazios. Temos que fazer o que for necessário para agradar a Deus; altruisticamente, sem vanglória, sem orgulho, sem ego, sem, sem…

Nossa alma não deve se rebelar e dizer: “por que Deus fez isso, por que Deus fez aquilo daquele jeito, Ele não poderia ter feito diferente?” Tudo isso indica pequenez de coração e resistência. Mostra que temos nossa opinião em alta conta, assim como nosso orgulho e nosso grande ego. Esses “por ques” torturam a pessoa, criam o que é chamado de “complexos”. Por exemplo, “por que tenho que ser tão alto?” ou o contrário “por que tão baixinho?”. Isso fica guardado dentro de nós. E podemos até rezar e fazer vigílias, e ainda assim só conseguir o efeito contrário. E vamos sofrer e nos desesperar de forma sem sentido. Enquanto com Cristo, com a graça, tudo isso desaparece. Continua essa “alguma coisa” lá no fundo, perguntando “por que”, mas a graça de Deus cobre o homem e enquanto a raiz pode ser complexa, uma roseira cresce sobre ela com belas rosas, e quanto mais for regada através da fé, amor, paciência e humildade, mas o mal perde seu poder e deixa de existir; quer dizer, ele não desaparece, mas diminui. Quanto menos regamos a roseira, mais ela murcha, seca, desaparece e os espinhos crescem.

Nós tentamos Deus quando pedimos algo para Ele, mas nossa vida está longe d´Ele. Nós O tentamos quando pedimos algo, mas nossa vida não está de acordo com Sua vontade, isso é, pedimos por coisas contra Deus: estresse e ansiedade por um lado, mas por outro ficamos suplicando coisas.

Seu pai espiritual pode te dizer: “Como eu queria estar em um lugar mais calmo, livre de preocupações e escutar sobre a sua vida desde o início, de quando você começou a perceber a própria existência, todas as coisas que você se lembra e o modo como você lidou com elas, não só as desagradáveis mas também as agradáveis, não apenas os pecados, mas também as coisas boas, os sucessos e os fracassos. Tudo, tudo que é parte da sua vida”.

Eu apliquei esse tipo de confissão gera muitas vezes e tenho vistos milagres acontecerem. Enquanto você fala com o confessor, a graça divina vem para te aliviar de toda provação, de todos os ferimentos e traumas psicológicos, e de toda culpa; porque, enquanto você fala, seu confessor ora com sinceridade pela sua libertação.

Não fiquemos repetindo os pecados que confessamos. A lembrança dos pecados fere. Não pedimos por perdão? Está acabado. Deus perdoou tudo através da confissão. Eu também acredito que peco. Não estou no caminho certo. Mas se algo me incomoda, logo rezo sobre isso; não deixo ficar dentro de mim. Eu vou conversar com meu pai espiritual. Eu confesso, e acabou! Não vamos andar para trás e ficar falando do que não fizemos. O que é importante é o que faremos agora, desse momento em diante.

Desespero e deceção são o que há de mais terrível. São armadilhas de Satanás, para fazer a pessoa perder seu interesse por coisas espirituais e leva-la à desesperança.

Quase todas as doenças são por causa de falta de confiança em Deus e isso causa estresse. O estresse é causado pela ausência de sentimentos religiosos. Se você não sente amor por Cristo, se você não se ocupa com as coisas santas, com certeza vai acabar se ocupando com a melancolia e com o mal.

São percamos a esperança, ou nos apressemos, nem julguemos de acordo com coisas externas e superficiais. Se, por exemplo, você vê uma mulher nua ou vestida de forma provocante, não se fixe na imagem externa, mas pense na sua alma. Ela pode ser uma alma muito boa que tem questões existenciais, as quais ela manifesta através dessa aparência extrema. Ela tem uma força interior, a força da projeção, ela quer que as pessoas olhem para ela. Entretanto, em sua ignorância, ela distorceu as coisas. Imagine se ela encontrasse Cristo. Ela iria crer, e direcionar todo esse ardor para Cristo. Ela faria de tudo para agradar a Deus. Ela se tornaria uma santa.

Normalmente, por causa de nossas ansiedades e medos, de nosso estado espiritual ruim, sem sabermos ou querermos, ferimos outras pessoas, mesmo as que amamos muito, mesmo uma mãe em relação ao filho. A mãe pode transmitir ao filho todo seu estresse sobre a vida, a saúde, o progresso dele, mesmo sem nunca falar sobre essas coisas com ele diretamente ou sem expressar o que sente. Esse amor, esse amor natural pode feri-lo alguma hora. Isso não acontece, porém, com o amor de Cristo, que está ligado à oração e a santidade da vida de cada um. Esse amor santifica a pessoa, a pacifica, porque Deus é amor.

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Fonte (em grego): Life and Words, pub. Holy Monastery of Chrisopigi of Chania  2003, Ancião Porphyrios 
Traduzido para o inglês por: Holy Monastery of Pantokrator. Traduzido para o português por: Lr. Fabio L. Leite
(*) Padres népticos, aqueles que possuem Nepsis: (do grego νῆψις). Nepsis é um estado de perpétua atenção e consciência, de perfeita sobriedade e discernimento que é típico dos santos após longo período de purificação.

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