Menu Fechar

Etiqueta: Igreja

As características da Igreja Ortodoxa

AS ORIGENS DA IGREJA ORTODOXA

Jesus Cristo fundou a Sua Igreja através dos Apóstolos. Através da graça recebida de Deus no Pentecostes, os Apóstolos estabeleceram a Igreja por todo o mundo antigo. São Paulo fundou a Igreja de Antioquia; São Pedro e São Tiago, a Igreja de Jerusalém; Santo André, a Igreja de Constantinopla; São Marcos, a Igreja de Alexandria; São Pedro e São Paulo, a Igreja de Roma.

A Igreja Romana (ou Ocidental) separou-se da Verdadeira Igreja no ano de 1054, após alterar o Credo (o hino de Fé da Igreja) e erradamente afirmar a supremacia do Bispo de Roma (o Papa) sobre os outros bispos.

Afastando-se ainda mais das suas origens, a igreja Ocidental foi depois despedaçada numa miríade de seitas pela Reforma Protestante (hoje acompanhada por outras incontáveis recém-criadas “igrejas”, a maioria afirmando ser “baseada na Bíblia”). No entanto, na Grécia, Rússia, nos Balcãs, no Médio Oriente, e noutros lugares, a verdadeira Igreja Apostólica continuou a florescer, preservando a Fé de Cristo pura e inalterada. Hoje, esta Igreja é conhecida como a Igreja Ortodoxa de Leste (ou por vários nomes nacionais, tais como “Ortodoxa Russa”). É o refúgio para aqueles em procura da Verdade que é Cristo.

Kallistos Ware – Orar com o corpo: o método hesicasta e os paralelos não-cristãos 

Lembra-te de Deus com mais frequência do que respiras.

(São Gregório de Nazianzo)

UM FANTASMA NUMA MÁQUINA?

“Glorifica a Deus no teu corpo”, disse São Paulo (1 Co 6:19). Mas como, na prática, isso pode ser feito? Como podemos tornar a nossa parte física um participante ativo no trabalho de oração? Isso é algo que, como cristãos, precisamos pensar, especialmente nos tempos que correm, pois estamos a viver numa época em que, tanto na filosofia como na física e na psicologia, mostra-se cada vez menos útil defender uma dicotomia entre o espírito e a matéria, entre a alma e o corpo. A declaração de Carl Gustav Jung é típica: “O espírito é o corpo vivo visto de dentro e o corpo é a manifestação exterior do espírito vivo – os dois são, realmente, um.” [1] Se os escritores da espiritualidade cristã continuarem a assumir um forte contraste entre o corpo e a alma – como frequentemente o fizeram no passado – as suas palavras parecerão, cada vez mais, irrelevantes para os seus contemporâneos seculares.

Na realidade, uma divisão entre o corpo e a alma – do tipo platónico – não tem lugar na tradição cristã. A Bíblia vê a pessoa humana em termos holísticos e, apesar da pesada influência do platonismo, esse ponto de vista unitário tem sido, repetidamente, reafirmado no cristianismo grego. “A alma em si é a pessoa?”, foi uma pergunta encontrada num texto atribuído a Justino Mártir (165 d.C). “Não, é simplesmente a alma da pessoa. Chamamos de corpo a pessoa? Não, chamamos o corpo da pessoa. Então, a pessoa não é nenhuma dessas coisas por si só, mas sim o todo único formado a partir de ambas. ”[2] O teólogo grego contemporâneo Christos Yannaras insiste, em termos semelhantes, que o corpo deve ser considerado não como uma “parte” ou “componente” da pessoa, mas como o “modo de existência” total da pessoa, como a manifestação, para o mundo exterior, das energias da nossa natureza humana na sua integralidade. [3] Não sou um “fantasma numa máquina”, mas uma unidade indivisa. O meu corpo não é algo que tenho, mas algo que sou.

Não é suficiente, no entanto, afirmar essa antropologia holística na teoria. Precisamos dar uma expressão concreta e prática à nossa teologia dos Sacramentos, especialmente o da Eucaristia e o do Matrimónio e, igualmente, à nossa teologia da oração. Muitas vezes, porém, no ensino cristão, isso não foi feito. Numa definição famosa, Evágrio Pôntico (345-399) descreveu a oração como “a comunhão do intelecto [nous] com Deus”; é “a mais alta inteleção do intelecto (…) a atividade que melhor corresponde à dignidade do intelecto (…). Aproxima-se do imaterial dum modo não-material. ”[4] Fica, então, a pergunta: que lugar tem o corpo no empreendimento da oração? De facto, Evágrio foi menos anti-físico do que essas palavras sugerem, uma vez que atribuiu, na oração, uma importante função às experiências corporais, como o dom das lágrimas. [5] Mas a definição que fez da oração nos transmite, certamente, a infeliz impressão de marginalizar o corpo.

Frederica Mathewes-Green: Porquê os homens gostam da Igreja Ortodoxa

Num tempo como o nosso, onde encontramos todo o tipo de “igrejas” a desvalorizar os homens, estes voltam-se para o Cristianismo Ortodoxo, se não em elevadas, porém em intrigantes proporções. Dentre os três ramos do Cristianismo, este é o único que atrai, para a conversão, homens e mulheres, em igual número. Leon Podle, autor da obra The Church Impotent, escreveu: “Os ortodoxos são os únicos cristãos que usam basso profondo como música sacra ou precisam fazê-lo”.

Ao invés de tentar adivinhar a razão disso, enviei diversos e-mails para centenas de homens ortodoxos, os quais, na sua maioria, converteram-se já na idade adulta. Perguntei-lhes o que, na prática, torna a Igreja Ortodoxa tão atrativa. As respostas, a seguir apresentadas, podem contradizer as ideias de muitos líderes religiosos, os quais se utilizam das mais diversas formas para manter os rapazes dentro das suas “igrejas”.

DESAFIO

Este foi o termo mais comum que encontrei nas respostas. O Cristianismo Ortodoxo é ativo e não passivo. É a única forma de Cristianismo na qual a pessoa é desafiada a adaptar-se a ele e não adaptá-lo a si próprio. Quanto mais a pessoa se encontra comprometida, mais ela se sente satisfeita.

Padre Alexander Mileant – EDUCAÇÃO RELIGIOSA DAS CRIANÇAS

Introdução

Todos os aspetos da vida do homem (seja o seu caráter, o senso de responsabilidade, os bons e os maus hábitos, a sua habilidade em enfrentar as dificuldades e o seu grau de religiosidade) são predominantemente determinados pela educação que recebeu na infância. As recordações dessa época alimentam e aquecem o indivíduo nos momentos mais difíceis da sua vida. Ao contrário, as pessoas que não tiveram uma infância feliz não podem preencher a sua vida com nada. Ao encontrarmos estas pessoas — órfãos, que não conheceram o carinho dos pais; enteados e enteadas, com a alma despedaçada em consequência das dificuldades domésticas; filhos ilegítimos, abandonados aos cuidados de estranhos — sentimos que as suas almas foram marcadas por dolorosas feridas. Seguramente, a ausência da educação religiosa na infância faz-se sentir no caráter do indivíduo, pois, no seu conjunto espiritual, percebem-se ruturas notórias. A criança é, extraordinariamente, suscetível às impressões religiosas. Ela envolve-se, instintivamente, em tudo aquilo que divulga a beleza e o sentido do mundo ao seu redor. Retiremos isto da criança e a sua alma acabará num mundo vazio, a satisfazer-se, apenas, com os seus pequenos interesses quotidianos. Algo similar acontece com o corpo: se esta criança viver num ambiente húmido e sombrio, ela crescerá pálida e doentia, sem forças e sem alegria no seu corpo mal desenvolvido. Em ambos os casos, a culpa do seu não-desenvolvimento e das doenças (da alma ou corpo) recai sobre os seus pais.

São Cipriano de Cartago – SOBRE A UNIDADE DA IGREJA

Esta unidade devemos guardar e exigir com firmeza, especialmente nós, bispos, que na Igreja presidimos, para dar prova de que o episcopado também é um e indiviso. Ninguém engane os irmãos com mentiras, ninguém corrompa a pureza da fé com pérfidos desvios.

Uma só é a ordem episcopal e cada um de nós participa dela completamente. Mas a Igreja também é uma, embora, em seu fecundo crescimento, se vá dilatando numa multidão sempre maior.

Assim muitos são os raios do sol, mas uma só é a luz, muitos os ramos de uma árvore, mas um só é o tronco preso à firme raiz. E quando de uma única nascente emanam diversos riachos, embora corram separados e sejam muitos, graças ao copioso caudal que recebem, todavia, permanecem unidos na fonte comum.