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Homilia do bispo Pedro sobre a parábola do Filho Pródigo

A Parábola do Filho Pródigo (Lc 15, 11–32) é um daqueles textos evangélicos que não podem ser esgotados nem por uma única leitura, nem por uma única chave hermenêutica. Ela é, ao mesmo tempo, uma história possível, uma profecia velada, um drama teológico e um espelho da alma humana. A Tradição da Igreja sempre a leu em vários níveis, não os opondo entre si, mas deixando que se iluminem mutuamente.

No plano literal, a parábola fala da relação entre pais e filhos, da liberdade, do erro, da espera e do perdão. Ela diz algo essencial sobre o amor paterno: o verdadeiro amor não constrange nem salva pela força. No plano messiânico e histórico, muitos Padres da Igreja viram no filho mais velho uma imagem do povo judeu, que permaneceu “em casa”, guardião da Lei, e no filho mais novo – os gentios, que dissiparam o tesouro da revelação primordial, mas são readmitidos na casa do Pai por meio de Cristo. A indignação do filho mais velho torna-se, assim, o eco da recusa em aceitar que os pagãos são chamados à mesma herança. Contudo, acima de tudo, a parábola deve ser lida de modo soteriológico e filocálico, como a história interior de cada um de nós, como o drama da alma em sua relação com Deus. Nesse sentido, não há personagens exteriores: cada um de nós se encontra, em momentos diferentes, em ambos os filhos.