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Homilia do bispo Pedro sobre a parábola do Filho Pródigo

A Parábola do Filho Pródigo (Lc 15, 11–32) é um daqueles textos evangélicos que não podem ser esgotados nem por uma única leitura, nem por uma única chave hermenêutica. Ela é, ao mesmo tempo, uma história possível, uma profecia velada, um drama teológico e um espelho da alma humana. A Tradição da Igreja sempre a leu em vários níveis, não os opondo entre si, mas deixando que se iluminem mutuamente.

No plano literal, a parábola fala da relação entre pais e filhos, da liberdade, do erro, da espera e do perdão. Ela diz algo essencial sobre o amor paterno: o verdadeiro amor não constrange nem salva pela força. No plano messiânico e histórico, muitos Padres da Igreja viram no filho mais velho uma imagem do povo judeu, que permaneceu “em casa”, guardião da Lei, e no filho mais novo – os gentios, que dissiparam o tesouro da revelação primordial, mas são readmitidos na casa do Pai por meio de Cristo. A indignação do filho mais velho torna-se, assim, o eco da recusa em aceitar que os pagãos são chamados à mesma herança. Contudo, acima de tudo, a parábola deve ser lida de modo soteriológico e filocálico, como a história interior de cada um de nós, como o drama da alma em sua relação com Deus. Nesse sentido, não há personagens exteriores: cada um de nós se encontra, em momentos diferentes, em ambos os filhos.

Homilia do Bispo Pedro na Festa da Entrada da Santíssima Mãe de Deus no Templo

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Amados irmãos e irmãs em Cristo,

Hoje celebramos um acontecimento discreto nas Escrituras, mas grandioso na Tradição da Igreja: a Entrada da Mãe de Deus no Templo — o início visível de uma obra invisível, pela qual toda a humanidade receberia o Deus encarnado. Este dia santo não é apenas memória, mas é uma imagem viva do caminho interior ao qual cada um de nós é chamado.

Os Santos Padres veem este dia como a primeira luz do cumprimento da promessa. A pequena Maria entra no Templo não apenas para levar uma vida retirada, mas para tornar-se Templo vivo do Deus Vivo. São Gregório Palamás (sec. XIV) afirma que a Virgem foi “o primeiro templo verdadeiramente santificado”, pois nela não houve apenas ritos e símbolos, mas habitou a própria Essência.

E isso se prolonga na nossa vida: não somos chamados apenas a frequentar o templo, mas a ser templo. Sempre que entregamos a Deus a mente, o coração, a vontade, preparamo-nos — como a Virgem — na simplicidade, na obediência e na pureza, para que Cristo nasça em nós. Maria é conduzida ao templo pela simplicidade da infância. Ela não pergunta “por quê?”, não calcula, não duvida. Entra no lugar santo com a confiança total com que uma criança estende a mão ao pai.

Sermão de Páscoa de São João Crisóstomo

Que todo o homem pio e amante de Deus goze desta esplendorosa e bela festa! Que todo o servo fiel entre jubiloso no gáudio de seu Senhor!  Que aquele que se afadigou a jejuar goze agora o seu estipêndio! Que o que trabalhou desde a primeira hora receba agora o salário prometido! Que o que veio após a terceira festeje agradecido! Que o que chegou após a sexta em nada hesite: não sofrerá qualquer dano! Que o que tardou até à nona se aproxime, de nada duvidando! Que o que apenas chegou à undécima não tema pela tardança! É generoso o Patrão, e acolhe o último como o primeiro! Dá descanso ao obreiro da undécima como ao que laborou desde a primeira! Apieda-se do derradeiro e ocupa-se do primeiro: a este dá, àquele perdoa! Tanto recebe a obra como aceita o julgamento! Tanto honra a ação como aprova a intenção! Entrai, portanto, todos na graça de nosso Senhor! Primeiros e segundos, gozai de vosso salário! Ricos e pobres, cantai juntamente em coro! Observantes ou indolentes, honrai esta jornada! Que tenhais jejuado ou não, rejubilai no dia de hoje! Está repleta a mesa, deliciai-vos todos! O vitelo é pingue, ninguém sairá com fome. Inebriai-vos todos no beberete da fé! Gozai todos da riqueza da bondade. Ninguém chore sua pobreza, pois chegou a hora de em comum reinar. Que ninguém deplore as suas quedas, pois do sepulcro jorrou perdão. Que ninguém receie a morte, pois libertou-nos a morte do Salvador! Extinguiu-a Aquele que ela abraçara! Espoliou os Infernos O que aos Infernos desceu. Tornou-se-lhe amargo Aquele de quem provou a carne. Predissera-o Isaías ao clamar: “O Inferno, disse, encheu-se de amargor, quando lá em baixo se encontrou conTigo”. Encheu-se de amargor pois foi abolido; encheu-se de amargor pois foi iludido; encheu-se de amargor pois foi morto; encheu-se de amargor, pois foi abatido; encheu-se de amargor pois foi aprisionado. Tomou um corpo e coube-lhe em sorte um Deus; tomou terra e achou céu; tomou o que via e caiu no que não via. Onde está, ó morte, o teu aguilhão? onde está, inferno, o teu triunfo?”. Ressurgiu Cristo, e tu és precipitado; ressurgiu Cristo e caíram os demónios; ressurgiu Cristo e alegram-se os anjos; ressurgiu Cristo e reina a vida; ressurgiu Cristo e nem mais um morto nos sepulcros. Ressurgiu dos mortos Cristo, primícias dos adormecidos: a Ele a glória e o poder nos séculos dos séculos. Ámen.