(1) Senhor, atende à minha oração, presta ouvidos à minha rogação, segundo a Tua palavra; e responde-me, em Tua retidão! (2) Não entres em juízo com o Teu servo, pois ante Ti nenhum vivente é justo. (3) Pois perseguiu minh’alma o inimigo, vergou até ao solo a minha vida; fez-me habitar nas trevas, como os mortos do passado. (4) Angustia-se em mim a minha alma, agita-se em meu peito o coração. (5) Lembrei os dias de outrora, examinei as Tuas obras todas, para mim mesmo repetia todas as criações das Tuas mãos. (6) Estendo para Ti as minhas mãos; minha alma é ante Ti, como terra sequiosa. (7) Apressa-Te, Senhor, a responder-me: pois minh’alma desfalece! Não desvies de mim a Tua face, pois assemelhar-me-ia aos que descem ao abismo. (8) Faz-me ouvir desde a manhã a Tua misericórdia, pois é em Ti que eu confio. Revela-me o caminho a seguir, pois a Ti elevei a minha alma. (9) Retira-me Senhor, dentre os meus inimigos, pois em Ti me refugio. (10) Ensina-me a cumprir Tua vontade, pois és Tu o meu Deus; e o Teu Espírito bondoso me há de conduzir pela via reta! (11) Pela honra, ó Senhor, do Teu renome, Tu me farás viver; e na Tua justiça, livrarás a minh’alma do tormento. (12) Pela Tua misericórdia, destruirás os meus antagonistas, e deitarás a perder todos os que atormentam a minh’alma, pois eu sou Teu servidor.
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O Salmo 142 (143 na numeração hebraica) é o último dos sete “Salmos Penitenciais”. Na tradição cristã, ele é a voz da alma que, reconhecendo a sua finitude e o cerco dos inimigos espirituais, refugia-se na vontade de Deus. Abaixo, integramos o texto bíblico com o pensamento dos Padres da Igreja e da Filocalia.
O Salmo 142 não é apenas uma oração de aflição, mas um itinerário de cura espiritual. Ele move-se da humildade (reconhecimento do pecado) para o combate (identificação do inimigo), atravessa a memória (esperança) e a sede (desejo), até repousar na obediência ao Espírito Santo. É a síntese da vida espiritual: o homem que se esvazia de si para ser preenchido pela vontade divina.
Este salmo é a voz da alma que, sentindo-se cercada pela morte espiritual, descobre que a única saída é a elevação da mente a Deus.