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Etiqueta: dogma

Pe. Dumitru Staniloae: Conhecimento catafático e apofático de Deus

Segundo a tradição patrística, o conhecimento de Deus pode ser catafático (racional) ou apofático (inefável). Este último é superior ao primeiro porque o completa. No entanto, nenhum deles permite conhecer Deus na Sua essência. Através do conhecimento catafático, podemos conhecer Deus apenas como o criador e causa sustentadora do mundo, ao passo que, através do conhecimento apofático, obtemos uma espécie de experiência direta da Sua presença mística, que ultrapassa o simples conhecimento de Deus como causa investida de certos atributos similares aos do mundo. Este último conhecimento é denominado apofático porque a experiência da presença mística de Deus transcende a possibilidade de O definirmos em palavras. Tal conhecimento sobre Deus é, portanto, mais adequado do que o conhecimento catafático.

Contudo, não podemos simplesmente renunciar ao conhecimento racional, pois ainda que o que diga sobre Deus possa não ser inteiramente adequado, nada diz que lhe seja contrário. O que se deve fazer é aprofundar o conhecimento racional por meio do conhecimento apofático. Além disso, mesmo o conhecimento apofático, ao procurar oferecer qualquer explicação de si mesmo, deve recorrer aos termos do conhecimento do intelecto, embora os preencha continuamente com um significado mais profundo do que as noções da mente podem fornecer.

John Breck – A Trindade segundo as Escrituras e os Padres gregos

Há cerca de trinta anos, Karl Rahner afirmou que os cristãos, na sua maioria, são “meros monoteístas” e que, uma vez provada a falsidade da doutrina da Trindade, a maior parte da literatura cristã popular e a mentalidade que ela reflete não precisariam ser alteradas. Infelizmente, tal afirmação não é de todo descabida.

Ao definir a doutrina da Trindade como um mistério que não pode ser compreendido exclusivamente pela razão humana, somos convidados a adotar uma posição como a de Melanchthon, que afirmou: “Nós adoramos os mistérios da Divindade e isto é melhor do que investigá-los.” No entanto, o perigo de não refletir cuidadosamente sobre o que foi revelado e como foi revelado é continuarmos cegos pelos nossos próprios deuses e falsos ídolos, embora estes tenham sido construídos teologicamente.

Então, como podem os cristãos acreditar e adorar o Pai, o Filho e o Espírito Santo e ainda afirmar que existe apenas um Deus e não três? Como se pode reconciliar o monoteísmo com a fé trinitária?