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Categoria: Espiritualidade

EXORTAÇÃO DE SÃO PACÓMIO ACERCA DO RANCOR DUM MONGE

O venerável Pacómio, nascido em 292 d.C., de uma família pagã, converteu-se ao Cristianismo quando contava com 20 anos de idade, tendo recebido uma educação ascética. Em 320, fundou o seu primeiro mosteiro em Tabenesi, na Tebaida (Alto Egito), dando início ao vida monastica cenobita (comunitária), que perdura até os nossos dias. Morreu em 346, deixando como obras a Regra Monástica (com 194 artigos), diversas exortações aos seus monges e 11 cartas a abades e irmãos religiosos.

Nesta página, apresentaremos uma das suas exortações aos monges, que trata do perigo do rancor. Como é sabido, os primeiros monges isolavam-se no deserto. Com Pacómio, surgiram as primeiras comunidades de monges, as quais se caracterizavam pela partilha total dos bens, pela oração comum, pela observância à mesma Regra, pelo trabalho manual e pela obediência absoluta ao abade.

Agradeço ao nosso tradutor voluntário, José Carlos Romano, pela generosidade em traduzir este texto. Sem a sua valiosa colaboração, este maravilhoso texto não estaria disponível a todos nós. Que Deus o guarde e o proteja!

Exortação pronunciada pelo nosso, mui venerável, Santo Padre Pacómio, o santo arquimandrita, por motivo dum irmão que guardava rancor contra o outro. Nos tempos do abade Ebonh, que havia levado aquele irmão a Tabennesi, [Pacómio] dirigiu-lhe estas palavras, na presença de outros padres anciãos, para a sua grande alegria, na paz de Deus!

Desçam sobre nós as suas santas bênçãos e as de todos os santos! Que todos possamos ser salvos! Ámem.

Pecado não é um problema moral

Muitos leitores nunca ouviram que não existe progresso moral – por isso, não me surpreende que tenham pedido para escrever com mais profundidade sobre o assunto. Começarei focalizando a questão do pecado em si. Se entendermos corretamente a natureza do pecado e seu verdadeiro caráter, a noção de progresso moral será vista com mais clareza. Começarei esclarecendo a diferença entre a noção de moralidade e a compreensão teológica do pecado. Esses são dois mundos muito diferentes. Moralidade (como eu uso a palavra) é um termo amplo que geralmente descreve a adesão (ou falta de adesão) a um conjunto de padrões ou normas de comportamento. Nesse entendimento, todo mundo pratica alguma forma de moralidade. Um ateu pode não acreditar em Deus, mas ainda assim terá um senso internalizado de certo ou errado, bem como um conjunto de expectativas para si mesmo e para os outros. Nunca houve um conjunto universalmente aceito de padrões morais. Pessoas diferentes, culturas diferentes têm uma variedade de compreensões morais e formas de discutir o que significa ser “moral”.

Arquimandrita Efraim de Vatopedi – Sobre a “Morte Súbita”

Hoje em dia, quando a ciência e a tecnologia estão “no topo”, quando as culturas convergem e há uma crise de valores, até mesmo a palavra “morte” é evitada, e qualquer coisa que a remeta é ignorada e descartada. O homem moderno vê a morte como algo negativo e como uma perda; costumamos dizer sobre os que partiram: “Nós o perdemos”. Quem não tem o conhecimento adequado sobre esta questão da morte, tenta ignorá-la. Assim, ele vive uma vida essencialmente neurótica, drenada de seu verdadeiro significado.

A parada da função cardíaca e / ou a morte do cérebro – ou seja, a morte biológica e clínica – não é um estado natural para o homem e não é uma condição que está de acordo com a vontade de Deus. Deus não fez a morte (Sabedoria de Salomão 1, 13). A morte invadiu a natureza humana e age como um parasita. A morte entrou no mundo pelo pecado dos antepassados. Não é possível que o mal tenha se originado de Deus, pois Deus é bom. Quando Ele criou o homem, Ele não o tornou mortal. A morte apareceu depois que o pecado foi cometido, “porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Gn 2, 17). Na verdade, diz o apóstolo Paulo: “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Romanos 5, 12). Isto é, a morte como resultado do pecado dos antepassados invadiu a natureza humana e depois para o resto da criação.

Metropolita António Bloom- Entrevista na CBC- Sobre Sofrimento (1973)

Jornalista: Um dos conceitos que causa mais perplexidade da Fé Cristã para não- cristãos é a visão Cristã do Sofrimento. A ideia de que o sofrimento é redentor e o caminho para a Salvação. Até para muitos Cristãos a crença de que o sofrimento pode ser bom para ti é difícil de aceitar. Para nos ajudar a atingir uma melhor compreensão sobre o papel do sofrimento na vida espiritual dos Cristãos, eu visitei o Metropolita Anthony, da Igreja Ortodoxa Russa na Inglaterra.

Metropolita: Sempre que vamos desta preocupação sobre o homem, para a preocupação sobre coisas, nós tornamos as coisas, que podem ser ideais, ideologias, perspetivas de riqueza, num ídolo, e não existe nenhum ídolo que não reivindique sangue, e o sangue é sempre sangue humano, serão sempre homens, e mulheres, e crianças, que terão de pagar o custo.

Três perguntas sobre a vida monástica ortodoxa

1. Significado do Monasticismo

Pergunta: Eu não sou nem Católico Romano nem Ortodoxo mas estou a apreender o que posso sobre ambas as comunidades. Eu estou a ler “Uma Montanha de Sete Andares” de Thomas Merton, o que leva á pergunta abaixo.

Na Tradição Romana parece que aqueles que estão a viver a vida Monástica (Monge) são compreendidos como estando a gerar bem-estar para a Igreja como um todo; eu suponho que isto esteja de acordo com a compreensão deles sobre a economia espiritual envolvendo indulgências?

Eu sei que a Ortodoxia não reconhece indulgências. Que sentido existe na Ortodoxia, se algum, do valor espiritual para a Igreja dos Monásticos, além de, e em adição, aos óbvios relacionados com as suas orações pela Igreja?

Resposta: A maior contribuição do Monasticismo de um modo geral, como você observou, é a oração que eles oferecem “por todos e para todos.” A vida Monástica Ortodoxa é contemplativa- não temos “ordens” Monásticas dedicadas ao ensino, trabalho social, etc., tal como seria encontrado no Catolicismo Romano.

Metropolita António Bloom – Acerca do pai espiritual e da paternidade espiritual

O tema que passo a expor é o da espiritualidade ou da paternidade espiritual, ou ainda, se preferirdes, o “nutrir espiritualmente”, ou então o “cuidar das almas”.

Para tanto, gostaria, em primeiro lugar, de definir a palavra “espiritualidade”; porque, ao falarmos de espiritualidade, referimo-nos, usualmente, a certas expressões da nossa vida espiritual, tais como a oração e a ascese. Isto está claro em certos livros como, por exemplo, os de Teófano, o Recluso. Todavia, torna-se necessário, ao que me parece, relembrar que a espiritualidade consiste na realização da ação do Espírito Santo em nós. A espiritualidade não é o que designamos, habitualmente, por esta palavra, mas antes é a manifestação da ação misteriosa do Espírito Santo.

Arquimandrita Vassilios Papavassiliou – Moralidade vs Santidade

No cristianismo ortodoxo, não há “moralidade”. Eu sei que isso choca muitas pessoas, mas o digo por um bom motivo: porque a moralidade não é realmente uma ideia teológica, mas filosófica. A moralidade é normalmente compreendida como um senso de certo e errado, e acho que em certa medida todos o possuem, a despeito de cultura, religião ou época em que vive. Eu não acho que alguém já tenha considerado que o egoísmo ou a covardia sejam coisas boas. As pessoas não acham que seja bom ser horrível com quem foi bom com você, e é assim em qualquer religião que você creia, qualquer época em que viva, qualquer cultura de que participe. Existe um senso comum de certo e errado.

Mas há variações. Alguns diriam que é aceitável se vingar, e outros que não devemos fazê-lo de modo algum. Alguns diriam que um homem deve ter apenas uma esposa, outros diriam que ele pode ter várias. Alguns diriam que a gente deve ser bom com quem é bom connosco, outros diriam que devemos ser bons até com que não é bom connosco.

São Porphyrios – Melancolia, Tristeza e Ansiedade. Terapia Espiritual Ortodoxa

O ponto crucial é entrarmos para a Igreja – nos unirmos aos nossos irmãos, às alegrias e tristezas de todos, sentir suas circunstâncias como se fossem as nossas, orar por todos, nos doermos pela salvação deles, esquecermos de nós mesmos, fazermos tudo pelos outros, como Cristo fez por nós. Na Igreja nos tornamos um com cada pessoa triste, com cada sofredor, com cada pecador. Ninguém pode planear salvar-se sozinho, sem a salvação dos outros. É errado rezarmos pedindo para nos salvarmos. Devemos amar os outros e orar para que ninguém se perca, para que todos entrem para a Igreja. É isso que importa. E é com tal desejo que se deve sair do mundo para ir para um mosteiro ou para o deserto.

Na igreja, que possui os mistérios (sacramentos) que salvam, não há desespero. Podemos até ser extremamente pecadores, mas confessamos, o padre lê a oração sobre nós e assim somos perdoados e caminhamos para a imortalidade, sem ansiedade, sem medo.

Monja Rebeca – Monge: “O Asceta do Amor”

“O impulso que produziu o voo original para o deserto tebático do Egito (Thebaída) foi […] o impulso elementar do Cristianismo, que tudo desperta para Deus, abandonando todas as coisas e influências deste mundo a fim de melhor se preparar para o Reino dos Céus”.   Hieromonge Serafim (Rose)

O monaquismo encarna a mais elevada forma de vida ascética da qual o homem dispõe para corresponder ao amor louco de Deus, que deseja ardentemente divinizá-lo, a fim de torná-lo semelhante a Si próprio. O homem torna-se, então, segundo São Máximo, o Confessor, um pequeno “deus”, ao possuir todas as qualidades do próprio Deus: a mesma glória, a mesma beatitude, a Ele idêntico em tudo, menos na essência.